Nosso Pai

Adelson Marge

03/07/1934 – 26/06/1998

Lembro-me do dia que perdi meu primeiro emprego, costumava chegar em casa as 18h, neste dia cheguei as 14h. Meu pai estava no final do corredor do prédio em que a gente morava em Olaria, um corredor bem longo, uns 50 metros, Eu fui caminhando normalmente em sua direção, quando cheguei bem perto ele, sem eu dizer uma só palavra disse:

– Foi mandado embora, não foi?

Ele me deu um abraço, daqueles que consolam as pessoas, e comecei a chorar, chorar mesmo, no seu ombro. Ele me acalmou por alguns instantes e me disse:

_ E agora, que tal ouvir o papai e vir trabalhar comigo no comércio?

Este dia foi 29 de julho de 1983. Papai tinha nesta época uma pequena indústria de brindes (canetas, chaveiros, folhinhas etc…). Minha irmã, já era muito ligada ao papai, enrolava ele demais, era só dar uma coçada nas costas dele que papai se derretia todo. Quando a gente brigava, eu e minha irmã, vinha ele dizendo aquela frase que todo irmão mais velho detesta:

_ Não briga com ela que ela é “pequenininha”.

Esta ligação fez minha irmã ser professora por pouco mais de 01 ano. Logo estava trabalhando no ramo gráfico por influência do papai.

Nesse ponto começa nossa vida de comerciante e a DEL GÁS é fruto de uma pequena parte de tudo que nosso pai nos ensinou.

Dentre bilhões de homens no mundo, Deus no deu o privilégio, a sorte, a honra e se lá mais o que, de sermos filhos de Adelson Marge. Um pai exemplar, que não fez só questão de nos dar o peixe mas, principalmente, nos ensinar a pescar.

Um homem com o comércio no sangue. Papai começou a trabalhar bem cedo, talvez 13 ou 14 anos de idade. Ele vendia balas – estas tipo chupetas de groselha que minha avó Emilia fazia em casa, nos sinais de trânsito. Sabe, em qualquer lugar que eu vejo alguém vendendo este tipo de bala eu compro. É uma bala gostosa, mas eu compro para ajudar, sei lá, é como se estivesse ajudando meu pai.

Depois papai teve ferro-velho, não de carros, mas de sucatas. Ai ele já tinha uns 18 anos e aos 21 comprou seu primeiro cinema e aos 25 tinha uma rede com 11 cinemas, o último deles o Cine Mello de Bonsucesso onde hoje é a Casa Sendas. Esta é uma pequena parte da história da vida de nosso pai e de onde tiramos força para enfrentar todas as adversidades que o dia-a-dia que a DEL GÁS nos reserva.

Não se passa um dia em que eu não pense no papai. Um pai que amei e amo de todas as formas que um pai pode ser amado. Estou escrevendo este texto com lágrimas nos olhos. Uns podem achar exagero esta última frase, mas é a mais pura emoção e saudades de meu pai.

Pai, obrigado por suas broncas, seus ensinamentos e por todo amor que o senhor nos deu. Obrigado por criar uma família unida como a nossa e por nos ensinar a comprar a vender com tanta garra e brilho nos olhos. Pai, temos muito, mas muito orgulho mesmo, de sermos seus filhos. Aonde o senhor estiver te amamos até o infinito.

Seus filhos,
Adelson, Janine e Marcio.